http://diocesejuazeiroba.blogspot.com.br/2013/06/diocese-de-juazeiro-bahia.html
http://diocesejuazeiroba.blogspot.com.br/2013/09/o-bispo.html
http://diocesejuazeiroba.blogspot.com.br/2014/05/convite-inauguracao-da-catedral-e.html
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sábado, 27 de maio de 2017

SETOR JUVENTUDE DIOCESANO REALIZA "VEM, VEM SÃO JOÃO" NESTE SÁBADO (27)

Muito forró, comida típica e até quadrilha improvisada. Isso é um pouco do que o Setor Diocesano da Juventude promete para hoje (27) no “Vem, Vem São João”. O Arraiá junino da juventude diocesana acontecerá na Paróquia Santa Teresinha, no bairro Piranga, em Juazeiro, a partir das 19h.

"Quem ainda não garantiu seu ingresso, COORREEEEE!! Vamos forrozar bem muito e comer muuuuita comida típica! Terá quadrilha improvisada e muita animação!!", convida o Setor em sua página no facebook. O ingresso custa R$ 5,00.
Pascom diocesana

sexta-feira, 26 de maio de 2017

SEMINÁRIO DA CNBB-NE3 SOBRE A LAUDATO SI’ ACONTECERÁ EM JUAZEIRO

Com o objetivo de difundir a mensagem do Papa Francisco sobre o cuidado com a criação, a CNBB está promovendo seminários de formação em todo o Brasil. A Diocese de Juazeiro foi escolhida para sediar um desses encontros. O seminário – organizado pela Região 3 da CNBB-NE3 – acontecerá no Centro de Teinamento diocesano em Carnaíba do Sertão, interior de Juazeiro, nos dias 02 a 04 de junho deste ano. Irão participar representantes das Dioceses de Serrinha, Paulo Afonso, Irecê, Rui Barbosa, Bonfim, Juazeiro e da Arquidiocese de Feira de Santana.
Segundo a Irmã Elita Jonck, o seminário terá início às 12h do dia 02/06, com o almoço, e previsão de término dia 04/06 ao meio-dia. “Os trabalhos terão início às 14h, com uma Mesa Redonda sobre a Situação Ambiental do Bioma Caatinga. Haverá expositores e interação por exposição de pessoas de cada Diocese. Pedimos que cada Diocese prepare pequena exposição, de 5 a 10 minutos sobre a situação ambiental da região. O Facilitador será Roberto Malvezzi”, explicou a religiosa.
Roberto Malvezzi (Gogó) será o facilitador
O público alvo são padres, religiosas/os, Catequistas e Animadores de comunidades, além de lideranças de Pastorais e Movimentos. O investimento para participar do seminário é de R$100,00. Haverá Materiais para venda, como a Laudato Si, Entrevista sobre Ecologia com o Papa Francisco e outros. “Venham, estamos aguardando vocês com muita satisfação e alegria”, finalizou a irmã, lembrando que cada paróquia da Diocese é convidada a enviar dois representantes.
Laudato Si’ e os desafios da Caatinga
O Seminário será inspirado na encíclica do Papa Francisco Laudato Si’, na qual o papa trata sobre os desafios ambientais da atualidade no mundo. Mas durante o encontro será debatida de forma especial a situação da caatinga, bioma no qual está inserida a Diocese de Juazeiro e as outras que estarão presentes.
Informações: 3611-7825 (Cúria da Diocese de Juazeiro – procurar pela Ir. Elita)
Texto: Pascom diocesana

quinta-feira, 25 de maio de 2017

NA VII ROMARIA EM DEFESA DA VIDA, POPULAÇÃO ALERTA SOBRE IMPACTOS DA MINERAÇÃO EM CAMPO ALEGRE

Cerca de 1.500 romeiros/as participaram, no último domingo (21), da VII Romaria em Defesa da Vida, no município de Campo Alegre de Lourdes. A Romaria, que teve como tema “Caatinga: cultivar e preservar para viver”, chamou a atenção da população campo-alegrense para a defesa da natureza, dos territórios e dos povos. Nos depoimentos, os romeiros/as expressaram muita preocupação com os impactos da extração de minérios, já que 82% do município está mapeado para pesquisas em mineração.  
“A Romaria é uma oportunidade que nós temos para nos orientar, compartilhar situações. Estamos passando por momentos muito difíceis, principalmente, relacionados a empresas de mineração e a forma que elas chegam nas comunidades”, disse o presidente da Associação de Fundo de Pasto de Angico dos Dias e Açu, Ednei Soares. Na comunidade de Angico dos Dias  vivem cerca de 400 famílias que passaram a enfrentar sérios problemas de saúde e conflitos de terra e água, após a chegada a de uma mineradora no local.
A agricultura Marineide Soares, do fundo de pasto São Gonçalo, destacou a grande participação da população na Romaria, principalmente dos jovens. “Isso é muito importante para nós que estamos sofrendo com grileiros, desmatamento e destruição da Caatinga”, ressaltou. Para o professor Deusvaldo Almeida, a intensa participação da população na Romaria “mostra que as pessoas estão preocupados com a defesa da vida e com a preservação do meio ambiente”.
A VII Romaria em Defesa da Vida foi organizada pela Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e pelo Fórum de Entidades Populares de Campo Alegre de Lourdes. O padre Bernardo Hanke conduziu a celebração. “A Caatinga é o nosso chão, nós temos a nossa raiz aqui, ela nos dá vida”, afirmou Hanke. Apresentações de poesias, música e cordel também fizeram parte da VII Romaria em Defesa da Vida. 
Comunicação CPT Juazeiro

DIOCESE DE JUAZEIRO MARCA PRESENÇA EM ENCONTRO DE COORDENADORES DE CATEQUESE DA CNBB NE3

A Diocese de Juazeiro marcou presença, no último final de semana (19 a 21 de maio), no encontro com os coordenadores e assessores de catequese do Regional NE 3. A reunião aconteceu em Feira de Santana. Maria do Carmo Rodrigues, mais conhecida como Carminha, coordenadora da catequese diocesana, e o Pe. Aluísio Alves, referencial para a catequese, representaram nossa Diocese.
“Neste encontro demos continuidade ao estudo da Iniciação a Vida Cristã. Lá vimos alguns pontos importantes do novo documento que foi lançado na última assembleia dos nossos Bispos. Para nos organizar foi feito um plano de como continuará o trabalho da Catequese de Iniciação a Vida Cristã em nosso Regional e Dioceses”, relatou Carminha.
Texto: Pascom diocesana

quarta-feira, 24 de maio de 2017

ASSEMBLEIA DIOCESANA DAS CEBs REFLETE SOBRE ESPIRITUALIDADE E MUNDO URBANO

A espiritualidade das comunidades no mundo urbano. Esse foi o tema da última Assembleia das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Diocese de Juazeiro, encerrada nesta terça-feira (23). O encontro aconteceu em Carnaíba e contou com a presença de 70 pessoas, com duração de três dias – de 21 a 23 de maio.
“Tivemos uma grande e animada participação e representação da maioria das Paróquias”, relatou a Irmã Elita Jonck, uma das organizadoras da assembleia. “O tema, a espiritualidade das CEBs no mundo urbano, foi refletido com a assessoria de Mônica Muggler, uma das coordenadoras da Escola Missionária do Pe. José Comblin”.
Monica Muggler, assessora do encontro, à esquerda.
Segundo a religiosa, a espiritualidade das CEBs é centrada em Jesus e seu Reino. “É na sua pessoa e na sua prática que nós baseamos nossa prática. Ela é, sobretudo, profética que gera esperança, criativa e responsável pelo cuidado da Casa Comum, a  Terra. A essência de tudo é o amor. Nós, CEBs, somos o lugar da Igreja em saída”, disse Irmã Elita.
Embalados por músicas conhecidas como “o trem das CEBs” e “eu sou feliz é na comunidade”, a assembleia das CEBs da Diocese de Juazeiro aconteceu em preparação para o 14º Intereclesial das CEBs que acontecerá no ano que vem em Londrina, Paraná. O tema será “As CEBs e os desafios do mundo urbano”.
Texto: Pascom diocesana (com ajuda da Irmã Elita Jonck, FE)
Fotos: Irmã Elita Jonck e Irmã Maria Besen, FE

A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO É UM "RALO DE DINHEIRO PÚBLICO"

As delações dos executivos da Odebrecht para a Operação Lava Jato “vieram comprovar as suspeitas de que um dos objetivos da transposição era a transferência de grandes montantes de recursos públicos para empresas em ‘caixa um’ e ‘caixa dois’ e para políticos em campanhas eleitorais”, diz Ruben Siqueira, coordenador da Comissão Pastoral da Terra – CPT, na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line e compartilhada por nós.
Segundo ele, para dar conta dos 14 lotes de construção envolvendo a transposição do Rio São Francisco, “vários consórcios foram constituídos entre empreiteiras”, mas a “Polícia Federal desencadeou investigações que comprovaram fraudes e superfaturamentos em alguns destes consórcios, com envolvimento de políticos e mediação de doleiros”.
Na entrevista a seguir, Siqueira comenta a inauguração do Eixo Leste da obra, e frisa que “é possível conferir e confirmar as principais críticas ao projeto”. Além disso, critica, a obra que era prevista para ser realizada em três anos, a um custo de 4,6 bilhões de reais, “está completando 10 anos e a um custo de 10 bilhões”. E dispara: “As denúncias de corrupção envolvendo empreiteiras e governos, com superfaturamentos e propinas, que atingem também a obra, corroboram a crítica de que seria um ‘ralo de dinheiro público’”.
Uma solução à transposição, defende, seria a adoção de “um conjunto de várias pequenas e médias soluções descentralizadas e adaptadas às diversidades geoclimáticas”, já que o Sertão Semiárido é composto por “72 sertões diferentes”.
Ruben Siqueira é graduado em Filosofia e em Pedagogia e mestre em Ciências Sociais. Foi coordenador da CPT Diocesana de Juazeiro, entre 1988 e 1994, quando assumiu em Goiânia a assessoria sociológica da CPT Nacional. Posteriormente foi coordenador da CPT Regional da Bahia até 2005, quando assumiu a articulação geral do Projeto São Francisco, parceria da CPT MG, BA e NE2 com o Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP. Foi eleito para a coordenação executiva nacional na XXVII Assembleia Nacional da CPT, que aconteceu em Luziânia (GO), em março de 2015.
CONFIRA A ENTREVISTA:
Que avaliação faz da transposição do Rio São Francisco? Que mudanças na distribuição de água foram prometidas por conta da construção da obra e o que de fato acontece neste momento no Nordeste Setentrional?
Ruben Siqueira - Mesmo ainda inconclusa, mas já com inaugurações festivas, e em vista da permanência dos vícios de origem e trajetória da obra até aqui, é possível conferir e confirmar as principais críticas ao projeto. Previsto para três anos, a um custo de 4,6 bilhões de reais, está completando quase 10 anos e a um custo de 10 bilhões. As denúncias de corrupção envolvendo empreiteiras e governos, com superfaturamentos e propinas, que atingem também a obra, corroboram a crítica de que seria um “ralo de dinheiro público”. As duas “inaugurações”, na verdade “showmícios”, um do governo golpista, outro do governo golpeado [OBS.: as opiniões políticas do entrevistado, não refletem necessariamente uma posição oficial da Diocese, apenas divulgamos a entrevista por seu valor informativo e de interesse público para a população sanfranciscana (nota da Pascom - Diocese de Juazeiro/BA)], ambos atrás de apoio popular para as eleições de 2018 — o golpista desesperado atrás de fatos positivos, pois pelo desmonte dos direitos é o mais impopular da história —, revelam mais uma vez o caráter eleitoreiro da transposição. O arrastar da obra serve a objetivos inconfessos, faz render dividendos eleitorais. O projeto tem menos a ver com seca e sede de água do que com fome de poder.
Mudanças significativas na distribuição de água, não houve nenhuma. O que houve foi grande alarde, gente celebrando com banhos a secularmente ansiada chegada das águas do São Francisco, apregoada como solução definitiva para a seca nordestina. Mudanças reais vão ser sentidas quando toda a água da região subir de preço, com impacto nas contas domésticas dos 12 milhões de alegados beneficiários. O projeto real atinge menos que 5% do Semiárido. A população efetivamente a ser beneficiada corresponde a 0,3% da população do Nordeste, que é de 54 milhões. Mas todos pagarão a conta, para que ela feche, compensando os usos econômicos de uma água que é a mais cara do mundo.
O Eixo Leste “inaugurado” é o que teria uma maior porção de água para consumo humano e há quem o defenda, mesmo entre críticos do projeto. Mas a água do São Francisco que chegou à Paraíba quase nada acrescentou, pois “concorreu” com as chuvas que caíram em mais de 60 municípios.
Como combinar a transposição com a situação crítica do Rio São Francisco?
Ruben Siqueira - Na pior crise hídrica da história, o Rio São Francisco não está dando conta dos múltiplos e concorrentes usos já instalados em sua bacia. Sua vazão em torno de 70% está comprometida com a produção de hidroeletricidade — 95% da energia de todo o Nordeste. Seguidas reduções de vazões de Sobradinho e reservatórios a jusante vêm sendo implementadas; dos até então inéditos 600 m3/s propõe-se agora que desçam para 540 a partir de junho, em Sobradinho e Xingó. Cresce a irrigação agrícola — dos anos 1960 para cá, já foram irrigados 800 mil hectares em empreendimentos privados e 180 mil nos perímetros públicos. Nos recentes períodos de seca, a disputa entre estes usuários tem sido mais intensa e preocupante. E ainda tem o abastecimento humano de 16 milhões de habitantes na bacia e o industrial. Sem contar os usos não humanos.
As perspectivas futuras são ainda piores. Estudos da NASA sobre os rios do mundo constataram que o São Francisco tem o pior quadro, perdeu 35% de vazão constante em 50 anos e vai perder em torno de 25% nos próximos 50 anos, devido também ao aquecimento global. Tal é a penúria do São Francisco que, em recente reunião do Comitê da Bacia do São Francisco (Recife, 19/05/17), pela primeira vez a Agência Nacional de Águas - ANA propõe redução das captações para irrigação. Seria o “Dia do Rio”, um dia por semana, possivelmente às segundas-feiras, em que as captações seriam suspensas.
É um paliativo. Este enorme problema dos múltiplos e concorrentes usos, de difícil equação e solução, vai se estender para a região setentrional do Nordeste com a transposição e se agravar, virando um conflito entre estados da Federação, inclusive. Conforme o Plano de Bacia, elaborado nos marcos da Lei de Águas (no 9433/97), da vazão máxima possível de retirada no São Francisco (360 m³/s) já estão outorgados 335 m³/s e sendo gastos 91 m3/s em usos consuntivos nos sete estados da bacia. As retiradas previstas para a transposição são, pois, não de 1% do rio “desperdiçado no mar”, mas de 24% da vazão média e 47% da vazão máxima. Desta forma, o saldo para usos consuntivos de 25 m³/s (360 – 335) irá todo para a transposição. Armado está o campo de batalha.
E a dimensão dos canais da transposição é para muito mais do que os 25m3 legalmente aprovados, inclusive pelo Comitê, para consumo humano. É uma estrutura para quatro vezes mais, 127 m3/s, quando Sobradinho estiver com 94% de preenchimento, o que quase nunca acontece, e 65 m3/s em média, indo muito além do que e como foi aprovado. Pois a finalidade principal do projeto é irrigação agrícola — 70% da água, seguida de 26% para uso urbano-industrial e 4% para o abastecimento da população difusa, na verdade, para “perdas e outros consumos”, conforme consta no projeto. O potencial de conflito da disputa pela água será muito maior do que já acontece na bacia doadora.
A inauguração do Eixo Leste da transposição foi comemorada, em parte, pela esquerda, com as chamadas “festas-comícios”. Por que, na sua avaliação, parte da esquerda vibra com a realização de uma obra desse tipo?
Ruben Siqueira - A obra era estratégica para o marketing político de Lula e para o lulismo. O pobre retirante nordestino, que passou sede na infância, realiza a sonhada transposição do São Francisco, que desde o imperador Pedro II nenhum governo conseguiu fazer. O lado populista do lulismo tinha aí, no Nordeste mais pobre e onde está seu maior eleitorado, a marca definitiva.
Esta “festa-comício” alimentou o confronto com o Governo Golpista e foi praticamente o lançamento da candidatura de Lula para a presidência em 2018. Crenças político-ideológicas e a situação política polarizada com o Golpe e o pós-Golpe, levam a que boa parte dos movimentos sociais camponeses e organizações da sociedade civil continue atrelada ao projeto lulista. Lula prometeu a “maior reforma agrária da história” ao longo dos canais e levou à frente os programas de construção de cisternas e pequenas obras de água para produção.
No fundo, há em parte desta esquerda — com exceções importantes — muita ignorância sobre o Nordeste e o Semiárido, ao se alimentar ainda daquela visão idealizada, criada nas artes, do solo gretado, animais morrendo e pobre se retirando, mão de obra barata nos centros urbano-industriais do Sudeste... Não percebe que aqui se dá hoje uma das mais avançadas experiências de mudança para o paradigma ecológico.
Como a conclusão de parte da transposição do Rio São Francisco tem repercutido entre a população na região?
Ruben Siqueira - A população da região receptora está entre eufórica e desconfiada. Há aqueles, maioria talvez, que, crentes no secular discurso da seca como único problema e da transposição como única solução, comemoram o que lhes parece o fim do seu problema, ainda que muitos estejam irritados pela demora da construção. É quem tende a mais se decepcionar quando tomar consciência da realidade por trás do projeto escondida até agora. Aqueles acostumados a ver a manipulação operada pela “indústria da seca” desconfiam de que se trata de mais do mesmo, ou seja, que não será “água para seu bico”.
Há descontentamento também entre os que foram relocados, perderam suas posses e não estão tendo as compensações devidas e acordadas. A maioria das chamadas Vilas Produtivas Rurais, onde muitos foram reassentados, não estão concluídas e suficientes. Novas áreas de plantio e criatório, por exemplo, continuam sem condições de trabalho.
Na região “doadora” a preocupação aumenta, frente à calamidade da seca do rio. Os transtornos já são grandes com as dificuldades de acesso à água, mais distantes, de qualidade e quantidade pioradas, a lavoura de vazante minguada, a falta do peixe etc. E a ideia de que não é solução “desvestir um santo para vestir outro”. Até porque a propalada revitalização do rio não deslancha.
Em quais regiões há crise de abastecimento de água e quais as causas dessa falta de abastecimento?
Ruben Siqueira - A crise de abastecimento que há, foi atribuída à escassez de chuva. Mas se trata de outra escassez: de ética e vontade política. O potencial pluviométrico do Semiárido é de 800 milímetros por ano, irregular e variável conforme as configurações geoclimáticas diferentes — mas é o semiárido mais chuvoso do mundo. O problema é que com cerca de 3.000 horas de sol por ano, a evaporação chega a ser três vezes maior que a precipitação.
A “indústria da seca” levou o Brasil a construir a maior rede de água acumulada em regiões semiáridas do mundo — 70 mil reservatórios, com capacidade para 37 bilhões de m3. Com esta insolação tornaram-se “evaporatórios”, “cemitérios de água”, como disse alguém. Quer dizer, tem se que usar esta água antes que evapore. Mas a obra dos açudes nunca foi completada pela rede de adutoras de distribuição da água acumulada. Falam que a transposição dará “segurança hídrica” para uso dos açudes, mas é tão pouca água acrescentada, muito menos do que a evaporada em alguns dos açudes receptores. Levando água para onde já tem, é “chover no molhado”. A opção pela transposição — a obra pela obra — é a continuidade da “indústria” da seca e de votos, a mesma de sempre.
Como se vê, o problema do chamado Nordeste não é a falta de água, é muito mais de terra e justiça, e o mau gerenciamento e a prioridade equivocada no uso da água disponível. O problema não é falta, mas sim acesso à água, que é mal distribuída e mal aproveitada. Ainda hoje é grande a população, nas margens do próprio Rio São Francisco, sem água e sem tratamento da água e com índices de pobreza e miséria dos piores.
O que seria uma alternativa à transposição, de modo a garantir o acesso à água para a população do Nordeste?
Ruben Siqueira - A alternativa é um conjunto de várias pequenas e médias soluções descentralizadas e adaptadas às diversidades geoclimáticas (a Embrapa fala de 72 sertões diferentes no Sertão Semiárido). Armazenar e fazer uso manejado das águas disponíveis, quando se fazem disponíveis. A rede de adutoras para disponibilizar a água dos açudes é importante. Talvez seja ainda mais importante a captação de água de chuva, por exemplo, através das cisternas de placa para consumo humano e produção, que já mostrou sua eficiência e largo alcance socioambientais. As “mandalas” são uma forma racional e ecológica de usar a água em pequenas culturas alimentares consorciadas, de grande valor para a segurança e soberania alimentar.
Caxios, barreiros-trincheira, caldeirões, cacimbas são maneiras antigas e consagradas de captar e conservar água. Águas dos riachos e veredas intermitentes podem ser guardadas em barragens de pedra, sucessivas e “barragens subterrâneas”, que retêm a água no próprio solo e possibilitam o plantio. As águas subterrâneas têm sua importância — são em torno de 21 bilhões de m3. O próprio São Francisco será fonte para muitas dessas soluções. A Agência Nacional de Águas publicou um Atlas que identifica as necessidades e apresenta as soluções para as áreas urbanas e rurais de todos os municípios do Nordeste. Muitas são obras que terão que ser feitas para distribuir a água dos canais da transposição. Lançado o Atlas em 2006, às vésperas do início do projeto de transposição, suas soluções custavam a metade e beneficiariam três vezes mais pessoas. Foi solene e incomodamente relegado pelo Governo Lula.
Claro que não são opções para monoculturas hidrointensivas, voltadas para o mercado de exportação, como certas fruticulturas irrigadas, a siderurgia de ligas finas de aço e a criação de camarão, que demanda 50 mil litros de água para um quilo.
No Nordeste está cerca da metade da população rural do Brasil, que é de 30 milhões. No entanto, nos últimos anos a terra concentrou-se ainda mais na região, numa verdadeira antirreforma agrária. E, sem terra, não se tem água e tudo o mais. Uma reforma agrária adaptada às condições geoambientais do bioma Caatinga e do clima Semiárido teria muito mais efeito sobre a fome e a sede do que uma megaobra hídrica.
Como o senhor avalia a transposição do Rio São Francisco à luz das delações feitas pelos executivos da Odebrecht, que denunciam as ilegalidades entre os políticos e a empreiteira na realização de grandes obras? O que se comenta sobre o tema em relação à transposição do Rio São Francisco?
Ruben Siqueira - As delações vieram comprovar as suspeitas de que um dos objetivos da transposição era a transferência de grandes montantes de recursos públicos para empresas em “caixa um” e “caixa dois” e para políticos em campanhas eleitorais. Com 14 lotes de construção, vários consórcios foram constituídos entre empreiteiras, um “prato feito” para boa parte do setor. A Polícia Federal desencadeou investigações que comprovaram fraudes e superfaturamentos em alguns destes consórcios, com envolvimento de políticos e mediação de doleiros. Trechos de obras foram interrompidos em consequência e novas licitações tiveram que ser feitas e empresas substituídas.
Recentemente o senhor publicou um texto comentando que a transposição do Rio São Francisco se assemelha ao projeto norte-americano implantado em 1930, com a transposição do Rio Colorado para o rio Big Thompson. Que semelhanças vislumbra nesses projetos e como esse projeto foi desenvolvido nos EUA?

Ruben Siqueira, coordenador da CPT Nacional
Ruben Siqueira - Na verdade, o projeto do Rio Colorado é inspiração e modelo da transposição do São Francisco, que promete aqui uma “Califórnia Brasileira”. No pós-guerra, os EUA, armando seu imperialismo, o Brasil como satélite, nos marcos da Aliança para o Progresso, mapearam as condições naturais do Vale do São Francisco e identificaram as manchas de solo irrigável e exportaram para cá seu modelo e tecnologia de irrigação e a ideologia do desenvolvimentismo.
Sua experiência mais consolidada era a do Colorado/Big Thompson, que possibilitou o abastecimento de dezenas de cidades e centros urbanos em expansão, como Los Angeles e San Diego, a irrigação de milhares de hectares principalmente de frutas, produção de energia, turismo e complexos industriais, como o Vale do Silício. Os impactos socioambientais, porém, tais como poluição, assoreamento, salinização, conflitos de interesse e entre estados e com o México, onde a água do Colorado quase não chega mais, levam a rever o sucesso alcançado, devido aos altos custos. Um modelo que se degradou e não resiste às secas atuais. A ponto de o governador da Califórnia no ano passado proibir a irrigação e apostar na “beleza paisagística da seca”.
Seminário recente foi realizado pelas Federações da Indústria do Rio Grande do Norte e da Paraíba com assessoria de especialistas do Colorado, para discutir “gestão e precificação da água”. “Califórnia Brasileira” é como é chamado o Di-polo Juazeiro/Petrolina, às margens do Rio São Francisco, na fronteira Bahia/Pernambuco. Encanta quem só vê água jorrando o tempo todo, o verde das monoculturas e as frutas vistosas sendo exportadas — uva e manga são as mais viáveis porque mais rentáveis. Menos alardeados são os altos volumes de agrotóxicos, a poluição e assoreamento do lago de Sobradinho e do próprio rio, a precariedade dos empregos sazonais, a pobreza e a violência nas periferias urbanas e bairros rurais, além do subsídio público sustentando o sucesso.
Estudos do Banco Mundial avaliam muito mal quase todos os perímetros irrigados do Nordeste que ele mesmo financiou. Talvez, com base nisto, na conta desfavorável de custo/benefício, não tenha querido financiar o projeto da transposição.


Texto: IHU - Unisinos
Fotos: Divulgação 

terça-feira, 23 de maio de 2017

INTEGRAÇÃO E TROCA DE EXPERIÊNCIAS: PASCOM DIOCESANA PARTICIPA DE ENCONTRO REGIONAL

Visando aprofundar a formação e ampliar a troca de experiências, a Pastoral da Comunicação (Pascom) da Diocese de Juazeiro participou neste final de semana, de 19 a 21 de maio, do 5º Encontro Regional da Pascom promovido pela CNBB Regional Nordeste 3. O Encontro aconteceu em Salvador, reunindo os coordenadores das Dioceses da Bahia e Sergipe.
Os debates foram assessorados pela coordenadora da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Natal (RN), Cacilda Medeiros, que tratou das formas possíveis de articular a Pascom nas paróquias, Dioceses e também a nível Regional. Segundo Cacilda, “a Pascom tem ações específicas ligadas a outras pastorais. Estamos a serviço dos outros, evangelizando e construindo comunhão”.
A formação aconteceu no Instituto Frei Ludovico. Participaram 18 membros novos e antigos da Pascom de 12 Dioceses do nosso Regional. Entre eles, 4 sacerdotes que assessoram ou coordenam a comunicação em Igrejas diocesanas.
Na abertura, o bispo de Barreiras e referencial para a Pastoral da Comunicação no NE3, Dom Josafá, que também participou do encontro, refletiu sobre a 51ª Mensagem para o Dia Mundial para as Comunicações, escrita pelo papa Francisco este ano (clique aqui). Dom Jasafá explicou que Francisco convida, sobretudo aos profissionais que trabalham com os meios de comunicação, a selecionarem bem os fatos que são abordados em seus veículos, bem como a perspectiva com a qual esses acontecimentos são abordados. “Os óculos adequados para decifrar a realidade só podem ser os da Boa notícia”, disse Dom Josafá, recordando a mensagem do Papa.
As atividades foram encerradas com uma palestra da advogada Taciane Barros sobre legislação e mídia, destacando os crimes que são cometidos na internet. O objetivo foi tomar conhecimento e tirar dúvidas sobre os crimes que podem ser cometidos contra a honra (calunia, difamação e injúria), bem como a responsabilidade civil no âmbito das redes sociais, muitas vezes ignorada por quem utilizar a internet, mesmo para evangelizar.

O encontro terminou com a meta de iniciar o planejamento de um mutirão de comunicação envolvendo todos os agentes da Pascom do Regional Nordeste 3. Além disso, o desejo é que a partir de agora possam ser fortalecidas as sub-regiões pastorais para que, integrados e bem formados, possamos realizar ainda melhor a importante missão da Pastoral da Comunicação em nossas comunidades.
Texto: CNBB NE3 e Pascom diocesana
Fotos: Integrantes da Pascom da CNBB NE3

 

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Tema Campanha da Fraternidade 2017

"Biomas brasileiros e defesa da vida."